O calo ambiental está nos municípios

Por Fernando Guida

 

Os curativos que estão sendo providenciados pelo governo federal para diminuir o problema de desmatamento na Amazônia, como o envio temporário de 800 policiais federais à Região, são evidentemente muito pouco com relação às gravíssimas epidemias ambientais lá instaladas.

Está mais do que claro que se trata - além de ignorância, sensação de impunidade e ambição desmedida – de total despreparo dos municípios para conduzirem medidas de prevenção ou fiscalização e de falta de poder e alcance por parte dos governos federal e estaduais.

O desmatamento ocorre em municípios da Amazônia. 

Um país com as dimensões do nosso não pode continuar tentando controlar a dilapidação do seu patrimônio ambiental a partir de Brasília.

Os órgãos ambientais de pouquíssimos estados são suficientemente preparados, organizados e equipados para darem conta dos graves problemas pelos quais passa cada região do Brasil.

Mas é nos municípios que pode estar a oportunidade de nos redimirmos de vez de tanto equívoco e tanto despreparo.

Mesmo nos estados mais poderosos, as condições dos órgãos ambientais dos municípios beiram ao ridículo. Não há, com poucas exceções, pessoal, instalações, equipamentos, treinamento nem, e principalmente, preparo e vontade política sequer por parte da esmagadora maioria dos prefeitos.

Se nas proximidades dos grandes centros facilmente se constata estes equívocos, pode-se imaginar como são, por exemplo - quando existem - as secretarias municipais que cuidam do meio ambiente nas territorialmente enormes cidades pelo Brasil adentro.

A sustentabilidade pode ser alcançada a partir dos cuidados com os ambientes em cada município. De forma transversal, a questão ambiental deve ser a definidora das ações políticas que vão gerar prevenção na saúde, desenvolvimento e difusão do conhecimento do que é local e regional, quando se tratar de educação e cultura, melhorias em geral com relação à qualidade das obras e por aí vai.

Preparar e conscientizar os políticos e administradores em âmbito municipal para o devido enfrentamento das questões ambientais e proporcionar boas condições para ações por parte dos órgãos ambientais dos municípios são alguns dos remédios que estão em falta. Na Amazônia e em quase todo canto.